Meu filho

Day 10

Meu filho

02/01/2010

Salto no glorioso passado de Champa de Myson e voo para Saigon no sábado à noite.

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02/01/2010 1 galleries 0 Maps

Meu filho, Cham ruínas nas nuvens

Hoje o programa inclui uma visita ao sítio arqueológico de My Son, localizado a cerca de 45 km de Hoi An para o interior. É o complexo Cham mais importante do Vietname, o centro religioso e cultural do reino Champa, com origens que remontam ao século IV. Aqui está a concentração mais valiosa de Torres Cham, declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO.

O local preserva restos de santuários e edifícios, muitos dos quais foram danificados ou destruídos pelos bombardeios americanos. O reino Champa mantinha relações comerciais e culturais com o mundo indiano e com Java, onde também foram formados alguns estudiosos. Hoje, porém, o local nem sempre dá continuidade a essa história ilustre: o mato avança, as torres dão sinais de decadência e a guerra deixou feridas claras.

Os edifícios podem parecer simples pilhas de tijolos em ruínas, mas contam um mundo diferente do mais conhecido vietnamita. Também os arcos e estruturas seguem técnicas distantes das europeias do mesmo período. Ao redor, as montanhas cobertas de nuvens tornam o ambiente sugestivo e quase suspenso. Também testemunhamos um show de dança local, então partimos para a viagem de volta passando por campos de arroz e campos de mandioca. Pelo caminho deparamo-nos indirectamente com um funeral, com pessoas vestidas com trajes tradicionais envolvidas em sóbrias danças de luto.

Curiosidade
O reino Champa
Rovine di un antico tempio in pietra con una struttura a cupola eretta.

Hoi An de bicicleta e vôo para Saigon

De volta a Hoi An alugamos uma bicicleta e seguimos em direção à praia de Cua Dai, onde passeamos entre os banhistas. Não tendo roupa de banho limitamo-nos a tocar na água com as mãos. No caminho de volta paramos para almoçar em um restaurante e depois continuamos a passear por Hoi An de bicicleta. O dia está quente, mas a umidade continua suportável.

Devolvidas as motos, encontramos o motorista a tempo e seguimos em direção a Danang, recuando cerca de 30 km. O aeroporto é pequeno, com apenas dois portões, e a sinalização não ajuda: é preciso saber vietnamita ou ter motorista. Felizmente temos a segunda opção. O voo Danang - Saigon sai às 18h10 e chega às 19h20 com a Vietnam Airlines.

Em Saigon somos recebidos pelos 28°C e por uma nova guia, uma senhora de 46 anos com alguma dificuldade. Desde as primeiras linhas entendemos que entramos em um ambiente muito mais caótico, ou cosmopolita, dependendo da interpretação. Jantamos num restaurante luxuoso demais para o nosso gosto, onde sofremos com o frio devido a um ar condicionado demasiado eficiente. Num país pobre e quente, até o ar condicionado se torna uma forma de exibir opulência.

Saigon à noite

Depois do jantar iremos ao hotel deixar as malas e sairemos à descoberta da cidade no sábado à noite. Saigon mantém uma agradável aparência colonial, com largas avenidas arborizadas, bairros residenciais tranquilos e edifícios neoclássicos. Hoje é o coração industrial e comercial do Vietname; seus habitantes são famosos por sua perspicácia nos negócios e um entusiasmo pela vida que quase parece se opor à austeridade de Hanói.

A cidade tem uma história recente muito intensa, mas raízes menos antigas que outras capitais asiáticas. Independentemente do dia da semana, as ruas do centro são rios por onde circulam motos e scooters de todos os tipos. Os poucos carros parecem barcos no meio da correnteza. Atravessar a rua exige fé: você avança devagar, confiando que todos o evitarão. Geralmente funciona, a ponto de quase virar um jogo.

O centro ainda decorado para as férias, com uma profusão de neon que parece Las Vegas transplantada para o Extremo Oriente. A religião pouco tem a ver com isso: o Natal e o Ano Novo tornam-se pretextos para imitar o mundo ocidental e a sua imagem de riqueza. A cenografia, porém, é alegre e confere à cidade uma face diferente daquela trágica com que muitas vezes é lembrada.

Passamos na frente antiga Câmara Municipal, hoje sede administrativa do sul do Vietnã, bem iluminado e considerado um dos edifícios mais fotografados do país. Um pouco mais adiante também conhecemos o Ópera, outro sinal claro do legado colonial francês.

Curiosidade
Saigon ou cidade de Ho Chi Minh?

Povoadores de barco, Hotel Continental e memória colonial

Em frente a um restaurante frequentado por repatriados ricos, o guia fala-nos dos sul-vietnamitas que fugiram após o fim da guerra. Alguns dos chamados boat people conseguiram reconstruir as suas vidas no estrangeiro e hoje regressam investindo no seu país natal. Muitos outros, porém, morreram no mar ou em campos de refugiados. É um dos lados da guerra menos comentados: depois da vitória, uma parte do Sul foi punida por ter vivido do lado errado.

Nos anos mais difíceis, o nome Saigon não pôde ser pronunciado oficialmente, sendo substituído por Ho Chi Minh City. Hoje a cidade parece ter voltado a levantar-se, também graças à viragem económica que favoreceu especialmente o sul mais aberto e comercial. As feridas do passado não foram esquecidas, mas a unidade do país já não parece estar em causa.

Da iluminação da Ópera paramos em frente ao Hotel Continental, um lugar cheio de memória. Durante a guerra foi base de jornalistas, correspondentes e observadores estrangeiros: por aqui também passaram muitas narrativas sobre o Vietname do Sul, entre esplanadas, quartos de hotel e conversas diplomáticas.

Curiosidade
O Hotel Continental
Vista notturna dell'Hotel Continental a Saigon in Vietnam.

Notre Dame e Palácio Presidencial

Chegamos ao Catedral de Notre Dame, bem iluminado, onde um grupo de fiéis está ajoelhado diante de uma estátua de mármore de Nossa Senhora. Este fervor religioso não deveria surpreender: no Vietname a dimensão mística é forte e muitas vezes exprime-se de formas diferentes daquelas observadas noutros lugares pela mesma religião.

As ruas vão ficando cada vez menos iluminadas e seguimos em direção ao Palácio Presidencial, também cheio de história. O foto do tanque que atravessou os portões tornou-se um dos símbolos da vitória norte-vietnamita e do fim da guerra. Regressamos um pouco ofegantes, conscientes de que em Saigon vale a pena ter atenção aos valores, e desfrutamos de um merecido descanso.

Pernoite
Saigon – Lan Lan 2

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