Day 5
Halifax + Balsa
Nova Escócia e balsa para Terra Nova. Canadá mais próximo da Europa, mas mais distante do Canadá
Manhã em North Sidney
Acordei normalmente às 6h45. Choveu boa parte da noite e mesmo de manhã não foi agradável. Vamos dar uma volta por Halifax, o centro cheio de neblina nos dá uma ideia bastante triste da cidade. As manhãs de sábado, que impedem as pessoas de sair de casa, proporcionam uma sensação adicional de solidão.
Por estradas confortáveis continuamos em direção a Truro, New Glasgow e chegamos a Port Hastings, onde atravessamos a Canso Causeway, um braço de mar que liga a Nova Escócia continental à Ilha Cape Breton. Chove com muita frequência mas as paisagens não são particulares. Vamos almoçar às margens do Lago Bras d'Or, lago ligado ao mar, com baixa salinidade. Visitamos à distância os restos de uma grande siderúrgica com resíduos de coque sugados para o oceano pelas marés. Uma visão desoladora no lugar mais poluído da América do Norte. Os bairros vizinhos apresentam casas em ruínas, devido ao abandono dos proprietários. É um dos locais com maior incidência de câncer em todo o Canadá. Talvez os habitantes de algumas das casas que vimos vazias não tenham conseguido escapar a tempo. Nós chegamos a Norte de Sydney, onde a partida estava marcado para as 16h, mas sairemos com umas boas duas horas de atraso. Dentro da bilheteria encontramos um centro de informações bem abastecido. Também neste caso vale a pena dizer algumas palavras sobre a disponibilidade do pessoal e a perfeita organização encontrada. Ainda dentro da bilheteria matamos o tempo olhando fotos dos tempos em que o ferry para Newfoundland era muito mais difícil, bem como as dificuldades encontradas no inverno quando o mar congela completamente. Antes de partir, encontramos um simpático senhor a quem contamos sobre nossa aventura com o alce há dois dias. Ele nos olha com estranheza e nos diz diversas vezes que temos “muita sorte”. Ele até me dá um tapinha no ombro para lhe dar sorte, embora não pareça ter muito azar. Ele possui uma caravana de dimensões enormes para os nossos hábitos (normal para os canadenses) rebocada por uma pick-up. Ele está aposentado e passa o verão perto de St. John's (sua área de origem) e depois o inverno no Alabama. Jantamos a bordo, notando que os preços são decididamente acessíveis. A ementa inclui bacalhau (pesca do dia) temperado com cebola e molho, servido com legumes diversos. Durante a viagem somos entretidos por um concerto country de dois rapazes muito espertos, equipados com guitarras, bases, etc. Conhecemos também Mary Law, uma professora casada com um inglês, natural de Newfoundland que vive e trabalha em Moncton (NB), regressando dos pais para uns dias de férias. Ele se sente canadense em todos os aspectos e não gosta do extremismo linguístico dos quebequenses.
A sua cortesia e disponibilidade em nos aconselhar sobre o que ver na ilha também nos deixou atordoados. É verdade que aqui vêem menos turistas do que noutros lugares, mas esta gentileza deve mesmo fazer parte do seu ADN.
A chegada a Port aux Basques ocorre já à uma da manhã devido ao atraso acumulado pelo ferry, após cinco horas de navegação. E é uma daquelas que não ficam esquecidas: em meio a uma neblina espessa, o navio avança lentamente para atracar. É como viver um filme da era pioneira enquanto a balsa desliza no mar plano como petróleo. Não se vê nada, apenas as luzes da marina que vão se aproximando aos poucos. Tirando a emoção da chegada, foi uma pena não ter chegado antes, pois o Heritage B&B que nos acolheu está situado num local muito bonito e é em si um lindo chalé, excelentemente mobilado e equipado com todos os confortos.


