Day 15
Cuzco
Cusco, a antiga cidade do Novo Mundo
Sacsayhuaman, San Blas e o coração de Cusco
Como não nos resta muito tempo para a visita a Cusco, decidimos tomar o café da manhã um pouco mais cedo e assim arranjar tempo para ir a Sacsayhuaman, as ruínas incas situadas em uma colina nos arredores de Cusco. Chegamos lá de táxi quando ainda não há visitantes e isso nos leva a ficar cara a cara com as muralhas da cidadela. Neste caso é mais difícil envolver-se e voltar no tempo; a desvantagem de estar perto de Cusco é que depois da conquista as pedras transportáveis foram usadas para construir casas na cidade vizinha, de modo que hoje não resta muita coisa. O mais interessante para os leigos é certamente a esplêndida posição que o site goza, exatamente num colina com vista para a cidade de Cusco, dos quais são bem reconhecíveis os vários pontos de interesse turístico.
Passamos pelo Cristo Branco, semelhante ao seu homólogo encontrado no Rio de Janeiro, só que menor, particularmente visível quando iluminado à noite. Tomamos um caminho que desce em direção Tandapata, uma bela rua de paralelepípedos no sopé do morro. É rico em cores, vivo e até encontramos uma lhama esperando para sair com seu dono. Saímos do cenário bucólico para entrar na cidade, passando por Praça San Blás e apresentando-nos às ruas estreitas do centro. No meio de uma delas é interessante notar a Pedra de 12 faces, prova da habilidade dos pedreiros incas, ainda não tínhamos percebido isso. Estamos agora em Praça de Armas, sob um céu azul pastel pontilhado de nuvens que parecem que você pode agarrá-las com a mão.
É preciso dizer que Cusco é uma cidade bonita e, apesar do que se diz, não percebemos nenhum risco particular por parte de pessoas mal-intencionadas. É lotado e há muitos vendedores de passeios ou serviços de todos os tipos, mas basta recusar educadamente e eles não insistem. O negativo é que a cidade vive do turismo e, ao contrário de outras visitadas, você tem a impressão de ser apenas um número com o qual tenta tirar o máximo de dinheiro possível prestando um serviço padrão, sem paixão ou participação. É verdade que tanto a cidade como os arredores, de Machu Picchu ao Vale Sagrado para continuar com a Montanha Arco-Íris e outras atividades a serem realizadas na região, representam uma visita obrigatória ao Peru e isso provavelmente leva a um vício para o turista que em várias ocasiões é considerado apenas como uma fonte de retirada de dinheiro.
Neste ponto adiamos uma anedota do que aconteceu ontem em Chinchero: não tendo percebido que só pode ser visitado com o boleto turístico, que permite a visita a 16 locais ao custo equivalente a 34 euros, o facto de ter que adquirir um bilhete de temporada mesmo que se pretenda visitar apenas alguns diz muito, tentámos trocar euros ou dólares por soles, pois não tínhamos moeda local suficiente. A senhora que tem uma loja mas também pratica câmbio em condições de agiota diz-nos que só efectua trocas por valores superiores a 100 euros, altura em que saímos irritados. Brincamos com o nosso guia dizendo que poderíamos ir para casa e em resposta ele nos informa onde podemos ir para pegar o ônibus de volta, demonstrando nenhum espírito de colaboração e independentemente do fato de termos adquirido o passeio de dia inteiro. Um simpático garoto chileno que compartilha o passeio conosco nos emprestará o que faltar e devolveremos a ele quando retornarmos a Cusco. Isso mostra o quanto o cliente não é levado em consideração. É preciso dizer também que, dado o nosso hábito de viajar, tendemos a não pesar nos guias que fazem o seu trabalho com o mínimo de paixão e atenção.
Mercado San Pedro, voo para Lima e última noite peruana
Voltando ao passeio pela capital inca abandonamos a Plaza de Armas com sua vivacidade de gente e cores para visitar o Museu Histórico Regional, de onde extraímos informações interessantes sobre a vida dos Cusqueni em várias épocas. Vemos, ora de fora, ora de dentro, as numerosas e belas igrejas da cidade a permanecer Mercado São Pedro, um corte transversal da sociedade, com todas as suas facetas. Vão desde lojas que oferecem produtos esotéricos, até vegetais, queijos, peixes e carnes. Entre estes últimos, o grandes cabeças de porco ou gado e muitas entranhas. Já havíamos notado em outros mercados a paixão dos peruanos por tripas, línguas, fígado e principalmente coração de boi, com os quais são feitos os famosos espetos chamados anticuchos.
Só falta tempo para ir ao hotel, pegar a mala e sair de táxi para o aeroporto, de onde decolaremos às 14h35 com destino a Lima. O voo doméstico ele é pontual e pouco depois das 16h estamos de volta à capital. A partir daqui vamos tomar posse do quarto do hotel em Miraflores e depois jantar num simpático restaurante próximo: é a última noite e queremos satisfazer-nos. Na verdade a noite continua indo ver o Circuito Mágico da Água, um parque localizado a cerca de vinte minutos de táxi. Sabemos que à noite as fontes aquáticas ficam iluminadas, mas descobrimos que em intervalos regulares acontecem verdadeiros espetáculos onde a água, as luzes e a música se unem numa coreografia espetacular, que o deixará sem palavras. São minutos de verdadeiro prazer, em que saboreamos História e cultura peruana de uma perspectiva nunca vista antes, nem mesmo imaginada. Ainda hoje já tomamos medidas suficientes, é hora de pegar o último táxi e voltar para um merecido descanso.


















