Day 4
Fátima
Mosteiros e cidades históricas, lugares onde o tempo parou. Fátima: onde a história tem muito pouco a ver com isso.
Coimbra entre a universidade e a pedra leve
A primeira parada de hoje é Coimbra, lindo lá catedral e ainda mais bonito é o centro histórico, com ruas estreitas que descem em direção ao rio. Que se trata de uma cidade universitária é imediatamente reconhecível pelos estudantes que começam a semana envergando as típicas capas pretas. A Rua Ferreira Borges com as suas montras é a rua comercial e como acontece frequentemente neste país tem um pavimento em pórfiro branco brilhante com decorações a tender para o cinzento. Tudo isso leva à sensação de que a estrada está molhada e escorregadia, na verdade são apenas reflexos.
O facto é que os azulejos nas paredes e o pórfiro branco no pavimento das ruas pedonais representam geralmente um belo elemento ornamental deste país.
Tomar e o convento dos Templários
A seguir estão alguns locais históricos e religiosos muito importantes que visitaremos entre o final da manhã e a tarde. Tomar: afinal não ficou claro se os cerca de 30 km entre a saída da auto-estrada e a vila de Tomar são realmente o percurso mais curto, a verdade é que a linha asfaltada serpenteia pelas encostas de colinas verdes e macias plantadas com oliveiras e vinhas, até chegar à majestosa base daquela que durante séculos foi uma das mais importantes sedes dos Templários, o Convento do Cristo. Perfeitamente preservada ao longo dos séculos, oferece ao visitante uma visão de como vivia o clero na época medieval: o acolhimento aos peregrinos e a arquitetura autoritária do que parece ter sido uma pequena cidade bem protegida. O mistério que envolve a Ordem dos Templários ajuda a fazer a imaginação funcionar. Também lindo refeitório e o cozinha, que deveria alimentar quem ali morava ou estava de passagem. Vários claustros estão rodeados por arcos com estuque e tudo o que as técnicas da época podiam oferecer.
Fátima, Batalha e Alcobaça
Fátima: como bem diz o guia, o que você vê depende do que você veio procurar. Para os turistas, de facto, não há muito o que ver: duas basílicas, uma para satisfazer quem gosta de um estilo rico mas ao mesmo tempo intimista e outra para quem gosta de prefere arquitetura moderna. A coisa toda é dividida por um enorme praça asfaltada de um lado está o Capela da Aparição, exatamente no local onde Nossa Senhora apareceu aos três pastorinhos. Perto dali, estruturas cobertas especiais abrigam as velas acesas pelos peregrinos. Um pouco além dos locais sagrados ficam as lojas de souvenirs e de arte sacra, além de restaurantes, hotéis e tudo o mais que possa ser útil aos visitantes. Confirma-se, portanto, que Fátima deve ser visitada apenas do ponto de vista religioso, como destino de peregrinação. Considerá-lo uma parada de um passeio turístico corre o risco de perder o sentido; ir para lá requer especificamente, no entanto, uma forte propensão e devoção, que talvez não se encontrem sequer em outras formas de conceber o mistério religioso.
Mosteiro da Batalha: construído seguindo o voto feito por João I antes de uma guerra desigual mas vitoriosa contra os espanhóis, merece homenagem pelos seus arcos, rendas, belos exteriores e um interior iluminado pelas cores que filtram pelas janelas. O estilo gótico com pilares em forma de árvore dos quais quase você não consegue ver a conexão com o teto torna o visitante ainda menor diante desse impulso.

Mosteiro de Alcobaça: também aqui, embora por motivos diferentes e com outra origem, encontramo-nos diante de um mosteiro gótico, cujo olhar se eleva quase até onde a vista alcança. Muito mais simples e menos decorado, num estilo que facilmente se encontraria numa cidade protestante, não faltam feixes de luz que as janelas altas deixam filtrar. A história de Dom Pedro e sua esposa aqui sepultados nos faz refletir sobre o quão triste deve ter sido a vida dos governantes quando se tratava de casamentos forçados. Não ousamos imaginar como o resto da população teve que viver. No interior da igreja vemos as cicatrizes perpetradas pelos exércitos de Napoleão, felizmente entre os poucos danos causados pelas guerras neste país, que de certa forma tem o destino de estar geograficamente localizado na periferia da Europa. O fato é que no dia da ressurreição o rei e a rainha se olharão nos olhos devido à forma como seus túmulos foram posicionados.
Noite na Nazaré
Todo o dia dedicado à cultura leva-nos a procurar a hospitalidade no cidade litorânea de Nazaré. Vamos visitar a parte superior, o Bairro Sítio, com uma esplêndida vista para a costa onde se destacam as cores azuis do oceano, o bege da praia e, mais além, o vermelho dos telhados das casas. Um labirinto de ruas estreitas, cujas paredes estão decoradas com azulejos que representam a vida quotidiana, permite-lhe mergulhar nesta vila piscatória. Descemos até o que é a própria cidade: neste período de entressafra mal se consegue passar pelas ruas estreitas que levam ao passeio, é difícil imaginar como é o trânsito nos meses mais quentes. Ainda hoje aproveitamos pôr do sol para fixar no cartão SD, mas antes mesmo disso em nossa mente, as imagens do disco de fogo desaparecendo onde a linha do horizonte une o oceano ao céu. Tudo assume tons ocres, enquanto eu bacalhau deixado para secar eles vêm coberto para a noite. Escusado será dizer que a gastronomia à base de peixe é excelente, principalmente se acompanhada pelos vinhos brancos da região. Neste ponto é necessário fazer um relatório que pretende também servir de alerta para quem vai de férias às zonas turísticas de Portugal: pode ter sido uma coincidência mas em pelo menos três ocasiões fomos presenteados com uma fatura superior ao esperado, descontos não aplicados, extras não consumidos e afins. Tudo sempre foi esclarecido de forma civilizada e reconhecido com muitas desculpas. Mas continua forte a sensação de que muitos empresários estão dando em cima de turistas ingênuos, que baixam a guarda por estarem de férias.
























